É com muita vergonha que começo esse post.
Tomada por hormônios femininos, eu precisava de uma coisa doce. Precisava. Mataria por um doce. Mas, ao mesmo tempo, estou eternamente acorrentada pelas cordas da dieta e da culpa de não ter o corpo da próxima capa da revista VIP. Momentos únicos que fazem parte da delícia de ser mulher.
Então, como um raio de luz no meu momento negro de ódio hormonal, minha amiga sugeriu a salvação:
"Toma um chicabon, amiga. Tem pouca caloria."
Com o pouco de razão e humor que me restavam naquele momento, abri o maravilhoso mundo dos sorvetes cremosos com caldas, amêndoas, caramelos e drogas alternativas apenas sentidas pelas mulheres e peguei o sorvete magrinho e simplezinho. "Mas que coisa mais simples esse sorvete", comentei. "Como que esse filetinho sem graça de sorvete poderia....ow! Só isso de caloria e gordura?"
De repente, tudo mudou. Pra sempre. Não lembro nem de ter pagado a conta do restaurante, só de rasgar em pedaços a embalagem e tomar o melhor sorvete da minha vida. Nem liguei a hora que babei sorvete na blusa que iria me acompanhar por mais 5 aulas naquele dia. E daí? Os alunos que entendam esse meu momento chocolate derretendo na boca e tomando todos os lugares da minha pequena mente. Tudo era lindo.
Só que, um momento, ele acabou.
Tudo voltou ao normal. O mau humor, a falta de esperança e paciência com todas as pobres criaturas divinas. A droga da mancha parecia maior sem o véu do barato do chocolate (única coisa realmente valiosa do mundo feminino). Nada mais valia a pena.
Agora, com mais clareza e menos hormônios, eu fico completamente sem graça com a intensidade das emoções provocadas por aquele sorvetinho tão simples. Entendo como somos suscetíveis às emoções, mas ainda acho que aquele sorvete era alguma edição especial do tipo: Chicabon sabor liberdade. Só assim pra uma mulher de dieta tomar um sorvete e se deixar levar pelo pensamento racional de que: 1 - culpa não emagrece e, 2 - melhor um sorvete agora do que uma notícia de jornal depois: "Professora mata alunos indefesos por não entregarem a redação." Não é?
E, pra ser sincera, não comi nenhum chocolatinho nessa páscoa! :(
ResponderExcluirTatiii! Desculpa aeee! Tava com mtaaa TPM + conversas em casa sobre assuntos revoltantes + ausência de carboidrato + bebedeira! hahahahaha
ResponderExcluirBjos
Ah Carol, quanta energia gasta! Um simples Chicabon teria resolvido todos os seus problemas :)
ResponderExcluirhahahahaha!!! Esqueceu q eu to na maior pegada dieta??? ãi cãra! O q eu não faria por um chicabon agora!!! Saudades, flor!
ResponderExcluirHAHAHAHHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHHAHAHA.....A-M-E-I o texto!!!! Muito sincero.
ResponderExcluirE HIPER fidedigno ao "pêndulo sofrimento/êxtase decorrente do eterno conflito interno, próprio da condição feminina, que se resume em ter poder sobre a comida/sentir poder com o corpo", em suma: comer gostoso ou me sentir gostosa, gata pegaê? Eis a questão.
Imagino que o Chicabon tenha crescido horrores em suas TPMísticas mãos, darling. Em momentos de desespero já cheguei a vivenciar rios de delírio com gelatina diet. Afinal, quanto maior a tensão, maior o prazer, já se dizia...
E,claro, os momentos onde um pote de sorvete no seu colo é....enfim. É.
Até quando estaremos subjugados a esses parcos centímetros de explosão de prazer e êxtase cremoso eu não sei.
Às vezes eu penso que tudo isso é uma grande piada da Criação.
Ou, talvez, uma bela oportunidade para se trabalhar a disciplina mental e, principalmente, nossa relação com a culpa.
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NAh.... Ainda fico com a piada.