Engraçado como a gente assusta com as coisas mais óbvias. Outro dia, estava eu preocupada com as coisas do dia a dia (leia-se alunos, explicações gramaticais e apresentações de ppt) quando vi uma revista que perguntava para pessoas famosas a seguinte coisa: "Quais foram as coisas mais importantes que te aconteceram nessa década?". Década? Como assim década? Meu Deus! Já estamos terminando 2010!
Parece bobo, mas até esse momento não tinha me dado conta que essa foi a primeira década que incluia decisões que não eram feitas pelos meus pais, e sim por mim mesma. Que medo!
Pensei nesses anos que contemplaram meus 15 aos 25 anos de idade e tentei responder à pergunta feita pela revista. Deixei as lembranças correrem soltas pela mente e vi o que talvez fosse uma amostra daquele momento da morte, onde a nossa vida passa diante dos nosso olhos, e o que eu vi foi, basicamente, isso:
Me vi pedindo para estudar em outra escola, pois queria algo maior pra mim mesma, vi meu primeiro adeus aos pés do túmulo de uma grande amiga, caindo de joelhos no meio do cursinho com o papel escrito "aprovada",rodeada de novos amigos, festas, bares, provas, festa de formatura. Me vi conhecendo alguém muito especial e descobrindo que não existe metade da laranja, e sim duas laranjas inteiras que decidiram ficar juntas. Me vi em outro país, mais novos amigos, neve, inglês, uma nova paixão aparecendo...livros, regras, Teacher Tati. São Paulo, Ribeirão Preto, Campinas. Uma casa com meu amor, alunos, alegria quase suprema...
Abri os olhos, e notei que estava sorrindo. E então, com esse sorriso involuntário, descobri que tive momentos bons e momentos ruins, mas nenhum momento que eu preferiria esquecer. Guardo todos com muito carinho, e separo espaço pra próxima década.
Último trem das 11
Pensamentos e mais pensamentos. Resolvi pegar o último trem da net pessoal e agora quero sentar na janelinha.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
A primeira linha
Depois de tanto tempo do silêncio, a gente passa a entendê-lo melhor. Percebe que ele não é feito apenas da ausência de som, mas também da ausência de textura, de perguntas e respostas, de preocupações e gravidade. Por isso, flutuei calmamente em meio aos infinitos novelos de lã pelo tempo que se fez necessário.
Mas, de repente, sinto necessidade de rasgar um pedacinho do casulo. Separo as linhas de lã e olho pra fora, com certo receio da luz machucar os olhos, tão acostumados e quentinhos na escuridão do casulo. Mas, não machuca. Não arde, não pinica, não fere.
A luz que entra no casulo ilumina pequenos pedaços do corpo parado, chamando a atenção do novo olho. Novas cores, nova textura, novo som. A cor dos olhos não é a mesma, a cor das unhas não é a mesma.
Sentindo a descoberta, as linhas de lã começam a abrir, desenrolar, e sem aviso, entrar no novo corpo. Enrolam o coração, a mente, as mãos, a boca, a língua, e mesclam-se com todo o resto. Mas uma pequena parte do fio não vai por inteiro, resolve ficar para nunca ser esquecido, bem entre o nariz e a boca, dos dois lados do rosto.
Olhei pra mim mesma no espelho e contemplei as linhas, tão comumente chamadas de linhas de expressão. E, naquele momento, percebi que um nome nunca tinha feito tanto sentido.
Mas, de repente, sinto necessidade de rasgar um pedacinho do casulo. Separo as linhas de lã e olho pra fora, com certo receio da luz machucar os olhos, tão acostumados e quentinhos na escuridão do casulo. Mas, não machuca. Não arde, não pinica, não fere.
A luz que entra no casulo ilumina pequenos pedaços do corpo parado, chamando a atenção do novo olho. Novas cores, nova textura, novo som. A cor dos olhos não é a mesma, a cor das unhas não é a mesma.
Sentindo a descoberta, as linhas de lã começam a abrir, desenrolar, e sem aviso, entrar no novo corpo. Enrolam o coração, a mente, as mãos, a boca, a língua, e mesclam-se com todo o resto. Mas uma pequena parte do fio não vai por inteiro, resolve ficar para nunca ser esquecido, bem entre o nariz e a boca, dos dois lados do rosto.
Olhei pra mim mesma no espelho e contemplei as linhas, tão comumente chamadas de linhas de expressão. E, naquele momento, percebi que um nome nunca tinha feito tanto sentido.
terça-feira, 18 de maio de 2010
Silêncio
Eu poderia até dizer que a falta de postagens no blog é uma consequência de muito trabalho. Mas não seria inteiramente verdade. Tenho tido alguns momentos......mas o único pensamento que vive na minha mente é o silêncio.
Puro.
Com cara de nada.
Tricotando e assistindo TV.
Talvez seja resposta da terapia. Talvez esteja relacionado com a postagem anterior. Talvez eles se relacionem.Mas nunca vi o silêncio exigir por tanto espaço.
Dentro do silêncio, só existe o tricot. Novelos e mais novelos vão se transformando em um grande casulo em volta de mim. Não um casulo triste e marrom, mas um casulo colorido, com diferentes texturas, quentinho e confortável, para aquecer o frio que é consequência da falta de palavras.
No frio, as palavras vagam pela minha mente tentando passar para o teclado, mas não conseguem. Não organizam-se, não coexistem com o silêncio absoluto. Então sento, tricoto e assisto o mundo continuar a rodar, completamente alheio do grito silencioso mais alto que eu já ouvi.
Respeitemos, então.
Puro.
Com cara de nada.
Tricotando e assistindo TV.
Talvez seja resposta da terapia. Talvez esteja relacionado com a postagem anterior. Talvez eles se relacionem.Mas nunca vi o silêncio exigir por tanto espaço.
Dentro do silêncio, só existe o tricot. Novelos e mais novelos vão se transformando em um grande casulo em volta de mim. Não um casulo triste e marrom, mas um casulo colorido, com diferentes texturas, quentinho e confortável, para aquecer o frio que é consequência da falta de palavras.
No frio, as palavras vagam pela minha mente tentando passar para o teclado, mas não conseguem. Não organizam-se, não coexistem com o silêncio absoluto. Então sento, tricoto e assisto o mundo continuar a rodar, completamente alheio do grito silencioso mais alto que eu já ouvi.
Respeitemos, então.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
O Rei Sol (ou, dá-lhe Freud!)
Dentro das minhas características mais fortes está o fato de eu ser basicamente catastrófica. E por que não? Sempre fui uma boa contadora de histórias e, como diz a minha irmã, o exagero é só pra dar um tchã na história.
Mas quem me dera toda essa emoção se reservasse apenas para o exercício Forrest Gump. Não consigo segurar a característica, e acabo usando-a em absolutamente tudo. Claro que isso fascina um grupo seleto de pessoas, sendo a minha terapeuta a maior fã de todas.
Depois de algum tempo de terapia, percebi que passei a falar menos. Passei a achar menos. Passei a ficar mais quieta quando com certeza teria dito alguma coisa. E, recentemente, um problema sério apareceu. Depois de uma hora de desabafo com a personificação da paciência (obrigada lindo) me acalmei. E não dividi minha opinião com mais ninguém. Fiquei quieta. Depois de poucos dias, o problema, facilmente, terminou. Sem nenhuma participação de nenhuma das minhas tão cruciais opiniões. Senti-me completamente insignificante. Um pedacinho de nada no meio de uma coisa muito maior. Mas aí percebi o mais importante: o dito do problema não existia mais. Então, por que eu estava tão preocupada?
Depois desse pensamento, desci do meu trono de ouro brilhante que fica no meio do universo e fui dar uma volta por aí. Simples assim.
You don´t deserve a point of view
If the only thing you see is you.
(Paramore)
Mas quem me dera toda essa emoção se reservasse apenas para o exercício Forrest Gump. Não consigo segurar a característica, e acabo usando-a em absolutamente tudo. Claro que isso fascina um grupo seleto de pessoas, sendo a minha terapeuta a maior fã de todas.
Depois de algum tempo de terapia, percebi que passei a falar menos. Passei a achar menos. Passei a ficar mais quieta quando com certeza teria dito alguma coisa. E, recentemente, um problema sério apareceu. Depois de uma hora de desabafo com a personificação da paciência (obrigada lindo) me acalmei. E não dividi minha opinião com mais ninguém. Fiquei quieta. Depois de poucos dias, o problema, facilmente, terminou. Sem nenhuma participação de nenhuma das minhas tão cruciais opiniões. Senti-me completamente insignificante. Um pedacinho de nada no meio de uma coisa muito maior. Mas aí percebi o mais importante: o dito do problema não existia mais. Então, por que eu estava tão preocupada?
Depois desse pensamento, desci do meu trono de ouro brilhante que fica no meio do universo e fui dar uma volta por aí. Simples assim.
You don´t deserve a point of view
If the only thing you see is you.
(Paramore)
terça-feira, 13 de abril de 2010
Dicas de livros 3 - Nove Estórias.
Para os meros mortais que têm que dividir seu tempo livre de 3 horas diárias com amigos, família, namorado, atividades extras, academia, blog e cultura, aqui vai uma dica de livro de contos: Nove Estórias, do maravilhoso J. D. Salinger. É muito difícil encontrar o adjetivo certo para descrever esse homem e seus contos...mas podemos dizer que o livro é, no mínimo, surpreendente. Salinger descreve, com muita sutileza e alguma ironia, situações curtas e sem aparente importância, mas que mexem e bagunçam com os sentimentos mais primitivos e inesperados dos personagens. É um dedo na ferida do humano, mas fazendo cara de conteúdo e de despreocupação. Atenção especial ao primeiro conto: 'Um Dia Ideal para os Peixes-Banana':
Segurou os tornozelos de Sybil e os empurrou para a frente e para baixo, fazendo a bóia deslizar por cima da crista da onda. A água empapou os cabelos louros de Sybil, mas o grito que ela deixou escapar, veio carregado de prazer.
Quando a bóia voltou a estabilizar-se, ela afastou com a mão uma mecha de cabelos molhados que lhe caíra sobre os olhos e informou:
__ Acabei de ver um.
__ Viu o quê, meu bem?
__ Um peixe-banana.
__ Deus meu! Não me diga! Ele estava com alguma banana na boca?
__ Tava __ ela respondeu. __ Com seis.
O rapaz de repente segurou um dos pés molhados de Sybil, que pendia da beirada da bóia, e o beijou.
__ Ei! __ disse a propietária do pé, virando-se para trás.
__ Ei coisa nenhuma! Agora vamos voltar. Você já brincou bastante?
__ Não!"
Segurou os tornozelos de Sybil e os empurrou para a frente e para baixo, fazendo a bóia deslizar por cima da crista da onda. A água empapou os cabelos louros de Sybil, mas o grito que ela deixou escapar, veio carregado de prazer.
Quando a bóia voltou a estabilizar-se, ela afastou com a mão uma mecha de cabelos molhados que lhe caíra sobre os olhos e informou:
__ Acabei de ver um.
__ Viu o quê, meu bem?
__ Um peixe-banana.
__ Deus meu! Não me diga! Ele estava com alguma banana na boca?
__ Tava __ ela respondeu. __ Com seis.
O rapaz de repente segurou um dos pés molhados de Sybil, que pendia da beirada da bóia, e o beijou.
__ Ei! __ disse a propietária do pé, virando-se para trás.
__ Ei coisa nenhuma! Agora vamos voltar. Você já brincou bastante?
__ Não!"
Trecho de Um Dia Ideal para os Peixes-Banana.
Leia esse livro. Ou melhor, sinta esse livro. O sentimento é cru, irônico e genial.
domingo, 11 de abril de 2010
A teoria do lixo.
Acho maravilhoso cada momento em que sinto-me envergonhada. Isso com certeza quer dizer que o que trouxe a vergonha é algo verdadeiro ou de significativa importância. Passada a vergonha, sempre vem a reflexão, seguida novamente da vergonha, mas enfrentada com mais humor.
Esses dias tenho trabalhado como louca, o que resultou numa grande ausência de novos textos no meu blog e na vida das pessoas que se importam comigo (desculpe gente). Não tenho tempo de fazer absolutamente nada, o que culmina em visitas noturnas ao Pão de Açúcar, novelos e novelos de tricô deixados às traças e um namorado nutrindo um relacionamento forte e duradouro com um Xbox.
Por essas e outras, resolvi atrasar mais uma visita noturna ao supermercado e fui tomar uma cerveja com as amigas, para relaxar o espírito e saber das novidades do mundo social. Nessa conversa, depois de eu ter relatado o quanto sofria com a falta de tempo, uma amiga contou que naquele dia tinha conversado com seus alunos para acabar com uma discussão boba que havia tomado conta da aula: uma aluna havia perdido um caderno e por isso não parava de chorar. Para acabar com a odisséia do caderno, ela pegou a lata de lixo da sala de aula e colocou em cima da mesa, bem em frente dos alunos, e disse: "Vocês conhecem a teoria do lixo?" Eles responderam que não. Ela continuou: "Olhem a lata de lixo em cima da mesa. Vocês podem chorar sobre a lata, reclamar que a lata atrapalha a aula, escrever um blog sobre os seus sentimentos e criar inúmeras comunidades do orkut para reunir todas as pessoas que odeiam essa lata de lixo, não é? Então, essa é a opção número um. Mas sabem qual é a opção dois?" Todos pareciam estar interessados. "A opção dois é essa!" Ela levantou, pegou a lata de lixo e tirou de cima da mesa. Simples assim. "A opção dois é levantar a bunda da cadeira e fazer alguma coisa que presta a respeito do que incomoda. Agora, encontre esse caderno e fique quieta."
Depois dessa, fui ao mercado, fiz compras, voltei pra casa, dei atenção ao namorado, tricotei um cachecol inteiro e dei um haduken na minha lata de lixo. Envergonhada? Claro que sim. Mas sempre aberta à opção número dois.
Esses dias tenho trabalhado como louca, o que resultou numa grande ausência de novos textos no meu blog e na vida das pessoas que se importam comigo (desculpe gente). Não tenho tempo de fazer absolutamente nada, o que culmina em visitas noturnas ao Pão de Açúcar, novelos e novelos de tricô deixados às traças e um namorado nutrindo um relacionamento forte e duradouro com um Xbox.
Por essas e outras, resolvi atrasar mais uma visita noturna ao supermercado e fui tomar uma cerveja com as amigas, para relaxar o espírito e saber das novidades do mundo social. Nessa conversa, depois de eu ter relatado o quanto sofria com a falta de tempo, uma amiga contou que naquele dia tinha conversado com seus alunos para acabar com uma discussão boba que havia tomado conta da aula: uma aluna havia perdido um caderno e por isso não parava de chorar. Para acabar com a odisséia do caderno, ela pegou a lata de lixo da sala de aula e colocou em cima da mesa, bem em frente dos alunos, e disse: "Vocês conhecem a teoria do lixo?" Eles responderam que não. Ela continuou: "Olhem a lata de lixo em cima da mesa. Vocês podem chorar sobre a lata, reclamar que a lata atrapalha a aula, escrever um blog sobre os seus sentimentos e criar inúmeras comunidades do orkut para reunir todas as pessoas que odeiam essa lata de lixo, não é? Então, essa é a opção número um. Mas sabem qual é a opção dois?" Todos pareciam estar interessados. "A opção dois é essa!" Ela levantou, pegou a lata de lixo e tirou de cima da mesa. Simples assim. "A opção dois é levantar a bunda da cadeira e fazer alguma coisa que presta a respeito do que incomoda. Agora, encontre esse caderno e fique quieta."
Depois dessa, fui ao mercado, fiz compras, voltei pra casa, dei atenção ao namorado, tricotei um cachecol inteiro e dei um haduken na minha lata de lixo. Envergonhada? Claro que sim. Mas sempre aberta à opção número dois.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Um momento de liberdade.
É com muita vergonha que começo esse post.
Tomada por hormônios femininos, eu precisava de uma coisa doce. Precisava. Mataria por um doce. Mas, ao mesmo tempo, estou eternamente acorrentada pelas cordas da dieta e da culpa de não ter o corpo da próxima capa da revista VIP. Momentos únicos que fazem parte da delícia de ser mulher.
Então, como um raio de luz no meu momento negro de ódio hormonal, minha amiga sugeriu a salvação:
"Toma um chicabon, amiga. Tem pouca caloria."
Com o pouco de razão e humor que me restavam naquele momento, abri o maravilhoso mundo dos sorvetes cremosos com caldas, amêndoas, caramelos e drogas alternativas apenas sentidas pelas mulheres e peguei o sorvete magrinho e simplezinho. "Mas que coisa mais simples esse sorvete", comentei. "Como que esse filetinho sem graça de sorvete poderia....ow! Só isso de caloria e gordura?"
De repente, tudo mudou. Pra sempre. Não lembro nem de ter pagado a conta do restaurante, só de rasgar em pedaços a embalagem e tomar o melhor sorvete da minha vida. Nem liguei a hora que babei sorvete na blusa que iria me acompanhar por mais 5 aulas naquele dia. E daí? Os alunos que entendam esse meu momento chocolate derretendo na boca e tomando todos os lugares da minha pequena mente. Tudo era lindo.
Só que, um momento, ele acabou.
Tudo voltou ao normal. O mau humor, a falta de esperança e paciência com todas as pobres criaturas divinas. A droga da mancha parecia maior sem o véu do barato do chocolate (única coisa realmente valiosa do mundo feminino). Nada mais valia a pena.
Agora, com mais clareza e menos hormônios, eu fico completamente sem graça com a intensidade das emoções provocadas por aquele sorvetinho tão simples. Entendo como somos suscetíveis às emoções, mas ainda acho que aquele sorvete era alguma edição especial do tipo: Chicabon sabor liberdade. Só assim pra uma mulher de dieta tomar um sorvete e se deixar levar pelo pensamento racional de que: 1 - culpa não emagrece e, 2 - melhor um sorvete agora do que uma notícia de jornal depois: "Professora mata alunos indefesos por não entregarem a redação." Não é?
Tomada por hormônios femininos, eu precisava de uma coisa doce. Precisava. Mataria por um doce. Mas, ao mesmo tempo, estou eternamente acorrentada pelas cordas da dieta e da culpa de não ter o corpo da próxima capa da revista VIP. Momentos únicos que fazem parte da delícia de ser mulher.
Então, como um raio de luz no meu momento negro de ódio hormonal, minha amiga sugeriu a salvação:
"Toma um chicabon, amiga. Tem pouca caloria."
Com o pouco de razão e humor que me restavam naquele momento, abri o maravilhoso mundo dos sorvetes cremosos com caldas, amêndoas, caramelos e drogas alternativas apenas sentidas pelas mulheres e peguei o sorvete magrinho e simplezinho. "Mas que coisa mais simples esse sorvete", comentei. "Como que esse filetinho sem graça de sorvete poderia....ow! Só isso de caloria e gordura?"
De repente, tudo mudou. Pra sempre. Não lembro nem de ter pagado a conta do restaurante, só de rasgar em pedaços a embalagem e tomar o melhor sorvete da minha vida. Nem liguei a hora que babei sorvete na blusa que iria me acompanhar por mais 5 aulas naquele dia. E daí? Os alunos que entendam esse meu momento chocolate derretendo na boca e tomando todos os lugares da minha pequena mente. Tudo era lindo.
Só que, um momento, ele acabou.
Tudo voltou ao normal. O mau humor, a falta de esperança e paciência com todas as pobres criaturas divinas. A droga da mancha parecia maior sem o véu do barato do chocolate (única coisa realmente valiosa do mundo feminino). Nada mais valia a pena.
Agora, com mais clareza e menos hormônios, eu fico completamente sem graça com a intensidade das emoções provocadas por aquele sorvetinho tão simples. Entendo como somos suscetíveis às emoções, mas ainda acho que aquele sorvete era alguma edição especial do tipo: Chicabon sabor liberdade. Só assim pra uma mulher de dieta tomar um sorvete e se deixar levar pelo pensamento racional de que: 1 - culpa não emagrece e, 2 - melhor um sorvete agora do que uma notícia de jornal depois: "Professora mata alunos indefesos por não entregarem a redação." Não é?
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