quinta-feira, 22 de abril de 2010

O Rei Sol (ou, dá-lhe Freud!)

Dentro das minhas características mais fortes está o fato de eu ser basicamente catastrófica. E por que não? Sempre fui uma boa contadora de histórias e, como diz a minha irmã, o exagero é só pra dar um tchã na história.
Mas quem me dera toda essa emoção se reservasse apenas para o exercício Forrest Gump. Não consigo segurar a característica, e acabo usando-a em absolutamente tudo. Claro que isso fascina um grupo seleto de pessoas, sendo a minha terapeuta a maior fã de todas.
Depois de algum tempo de terapia, percebi que passei a falar menos. Passei a achar menos. Passei a ficar mais quieta quando com certeza teria dito alguma coisa. E, recentemente, um problema sério apareceu. Depois de uma hora de desabafo com a personificação da paciência (obrigada lindo) me acalmei. E não dividi minha opinião com mais ninguém. Fiquei quieta. Depois de poucos dias, o problema, facilmente, terminou. Sem nenhuma participação de nenhuma das minhas tão cruciais opiniões. Senti-me completamente insignificante. Um pedacinho de nada no meio de uma coisa muito maior. Mas aí percebi o mais importante: o dito do problema não existia mais. Então, por que eu estava tão preocupada?
Depois desse pensamento, desci do meu trono de ouro brilhante que fica no meio do universo e fui dar uma volta por aí. Simples assim.

You don´t deserve a point of view
If the only thing you see is you.
(Paramore)

terça-feira, 13 de abril de 2010

Dicas de livros 3 - Nove Estórias.

Para os meros mortais que têm que dividir seu tempo livre de 3 horas diárias com amigos, família, namorado, atividades extras, academia, blog e cultura, aqui vai uma dica de livro de contos: Nove Estórias, do maravilhoso J. D. Salinger. É muito difícil encontrar o adjetivo certo para descrever esse homem e seus contos...mas podemos dizer que o livro é, no mínimo, surpreendente. Salinger descreve, com muita sutileza e alguma ironia, situações curtas e sem aparente importância, mas que mexem e bagunçam com os sentimentos mais primitivos e inesperados dos personagens. É um dedo na ferida do humano, mas fazendo cara de conteúdo e de despreocupação. Atenção especial ao primeiro conto: 'Um Dia Ideal para os Peixes-Banana':

Segurou os tornozelos de Sybil e os empurrou para a frente e para baixo, fazendo a bóia deslizar por cima da crista da onda. A água empapou os cabelos louros de Sybil, mas o grito que ela deixou escapar, veio carregado de prazer.
Quando a bóia voltou a estabilizar-se, ela afastou com a mão uma mecha de cabelos molhados que lhe caíra sobre os olhos e informou:
__ Acabei de ver um.
__ Viu o quê, meu bem?
__ Um peixe-banana.
__ Deus meu! Não me diga! Ele estava com alguma banana na boca?
__ Tava __ ela respondeu. __ Com seis.
O rapaz de repente segurou um dos pés molhados de Sybil, que pendia da beirada da bóia, e o beijou.
__ Ei! __ disse a propietária do pé, virando-se para trás.
__ Ei coisa nenhuma! Agora vamos voltar. Você já brincou bastante?
__ Não!"

Trecho de Um Dia Ideal para os Peixes-Banana.

Leia esse livro. Ou melhor, sinta esse livro. O sentimento é cru, irônico e genial.

domingo, 11 de abril de 2010

A teoria do lixo.

Acho maravilhoso cada momento em que sinto-me envergonhada. Isso com certeza quer dizer que o que trouxe a vergonha é algo verdadeiro ou de significativa importância. Passada a vergonha, sempre vem a reflexão, seguida novamente da vergonha, mas enfrentada com mais humor.
Esses dias tenho trabalhado como louca, o que resultou numa grande ausência de novos textos no meu blog e na vida das pessoas que se importam comigo (desculpe gente). Não tenho tempo de fazer absolutamente nada, o que culmina em visitas noturnas ao Pão de Açúcar, novelos e novelos de tricô deixados às traças e um namorado nutrindo um relacionamento forte e duradouro com um Xbox.
Por essas e outras, resolvi atrasar mais uma visita noturna ao supermercado e fui tomar uma cerveja com as amigas, para relaxar o espírito e saber das novidades do mundo social. Nessa conversa, depois de eu ter relatado o quanto sofria com a falta de tempo, uma amiga contou que naquele dia tinha conversado com seus alunos para acabar com uma discussão boba que havia tomado conta da aula: uma aluna havia perdido um caderno e por isso não parava de chorar. Para acabar com a odisséia do caderno, ela pegou a lata de lixo da sala de aula e colocou em cima da mesa, bem em frente dos alunos, e disse: "Vocês conhecem a teoria do lixo?" Eles responderam que não. Ela continuou: "Olhem a lata de lixo em cima da mesa. Vocês podem chorar sobre a lata, reclamar que a lata atrapalha a aula, escrever um blog sobre os seus sentimentos e criar inúmeras comunidades do orkut para reunir todas as pessoas que odeiam essa lata de lixo, não é? Então, essa é a opção número um. Mas sabem qual é a opção dois?" Todos pareciam estar interessados. "A opção dois é essa!" Ela levantou, pegou a lata de lixo e tirou de cima da mesa. Simples assim. "A opção dois é levantar a bunda da cadeira e fazer alguma coisa que presta a respeito do que incomoda. Agora, encontre esse caderno e fique quieta."
Depois dessa, fui ao mercado, fiz compras, voltei pra casa, dei atenção ao namorado, tricotei um cachecol inteiro e dei um haduken na minha lata de lixo. Envergonhada? Claro que sim. Mas sempre aberta à opção número dois.