É com muita vergonha que começo esse post.
Tomada por hormônios femininos, eu precisava de uma coisa doce. Precisava. Mataria por um doce. Mas, ao mesmo tempo, estou eternamente acorrentada pelas cordas da dieta e da culpa de não ter o corpo da próxima capa da revista VIP. Momentos únicos que fazem parte da delícia de ser mulher.
Então, como um raio de luz no meu momento negro de ódio hormonal, minha amiga sugeriu a salvação:
"Toma um chicabon, amiga. Tem pouca caloria."
Com o pouco de razão e humor que me restavam naquele momento, abri o maravilhoso mundo dos sorvetes cremosos com caldas, amêndoas, caramelos e drogas alternativas apenas sentidas pelas mulheres e peguei o sorvete magrinho e simplezinho. "Mas que coisa mais simples esse sorvete", comentei. "Como que esse filetinho sem graça de sorvete poderia....ow! Só isso de caloria e gordura?"
De repente, tudo mudou. Pra sempre. Não lembro nem de ter pagado a conta do restaurante, só de rasgar em pedaços a embalagem e tomar o melhor sorvete da minha vida. Nem liguei a hora que babei sorvete na blusa que iria me acompanhar por mais 5 aulas naquele dia. E daí? Os alunos que entendam esse meu momento chocolate derretendo na boca e tomando todos os lugares da minha pequena mente. Tudo era lindo.
Só que, um momento, ele acabou.
Tudo voltou ao normal. O mau humor, a falta de esperança e paciência com todas as pobres criaturas divinas. A droga da mancha parecia maior sem o véu do barato do chocolate (única coisa realmente valiosa do mundo feminino). Nada mais valia a pena.
Agora, com mais clareza e menos hormônios, eu fico completamente sem graça com a intensidade das emoções provocadas por aquele sorvetinho tão simples. Entendo como somos suscetíveis às emoções, mas ainda acho que aquele sorvete era alguma edição especial do tipo: Chicabon sabor liberdade. Só assim pra uma mulher de dieta tomar um sorvete e se deixar levar pelo pensamento racional de que: 1 - culpa não emagrece e, 2 - melhor um sorvete agora do que uma notícia de jornal depois: "Professora mata alunos indefesos por não entregarem a redação." Não é?
Pensamentos e mais pensamentos. Resolvi pegar o último trem da net pessoal e agora quero sentar na janelinha.
quinta-feira, 25 de março de 2010
quarta-feira, 24 de março de 2010
Dicas de livros 2 - Menino Oculto
Pessoal, essa dica vai para quem quer ler algo realmente diferente dos best sellers que estão por aí. Conheçam Menino Oculto, de Godofredo de Oliveira Neto, que conta a história de Aimoré, um professor de literatura fascinado por arte e que possui a capacidade de reproduzir qualquer quadro que já viu na vida. Depois de ser sequestrado por causa de suas reproduções, Aimoré conta diferentes partes de sua vida, cada uma representada e reforçada por amigos e amores que personificam cada momento de alegria, sexo, ódio e discussões sobre arte. A história não segue uma linha do tempo lógica, o que intriga e surpreende a cada capítulo. Dica maravilhosa de uma amiga formada em Letras pela UNICAMP.
"O capataz está aqui atrás, com a cabeça no chão do jipe, senti com a mão direita, também está todo ensangüentado, o quadro não está mais no banco de trás, claro, o papel em que estou escrevendo, apoiado no centro do volante, é um pedaço do papel pardo que embrulhava a obra do Portinari. Desliguei os faróis, economiza bateria, o reflexo do capim continua a embaralhar os meus olhos, enredar as minhas idéias, confundir tempo e espaço, ficção e realidade."
"O capataz está aqui atrás, com a cabeça no chão do jipe, senti com a mão direita, também está todo ensangüentado, o quadro não está mais no banco de trás, claro, o papel em que estou escrevendo, apoiado no centro do volante, é um pedaço do papel pardo que embrulhava a obra do Portinari. Desliguei os faróis, economiza bateria, o reflexo do capim continua a embaralhar os meus olhos, enredar as minhas idéias, confundir tempo e espaço, ficção e realidade."
Pensamento de Aimoré - Menino Oculto
Um livro moderno e diferente para abrir as portas da mente.
Um livro moderno e diferente para abrir as portas da mente.
domingo, 21 de março de 2010
A boa comunicação.
Noite dessas, saí com o meu namorado para um chopp artesanal em um bar alemão aqui de Campinas. Bom bar, bom chopp, merecia uma boa conversa filosófica. Cercados de pessoas que talvez não concordassem com essa idéia, pois discutiam coisas do tipo: "se eu fosse ela, eu não teria feito isso", ou "tentei convencer papai de que maconha é legal", começamos a conversar sobre comunicação. Eu realmente acredito que todos têm o direito de dizer o que pensam, desde que consigam arcar com as consequências disso, e que, mais do que isso, as pessoas que tinham algo realmente interessante a dizer tinham até certa obrigação de passar isso para frente. Minha companhia não concordava. Dizia que, infelizmente, não há ouvidos para a boa comunicação. Há tempos a boa comunicação tornou-se vertical, ou seja, algo de pai pra filho, e não mais horizontal, alcançando todo mundo independente da relação que tinham. “Ninguém mais quer ouvir”, ele disse. Como comunicóloga, não consigo me dar o luxo de acreditar nisso, mas como pessoa e público-alvo de inúmeras coisas, não pude deixar de concordar um pouquinho. Mas juro que doeu. Olhei em volta e as conversas iam de mal a pior. “... aí aquela retardada falou pra ele que eu tinha mentido...", “... mas eles já estão na casa faz tempo e não aconteceu nada...", “... aI gEnTe, mE aTraSei pq TaVa NoS rOlêS com A gAlERa, tipo, MUITO mAssA esSe PiCo." Voltei pra casa desolada. Mas jamais derrotada. Sentei na frente do computador, abri meu blog e dividi meus pensamentos com quem quisesse ler. Decidi que não iria deixar de passar meus pensamentos adiante ou até mesmo minhas dicas de bons livros. Se ao menos uma pessoa ler esse post e pensar em tudo de bom que tem para passar para os outros e realmente fazer algo a respeito, ou talvez pesquisar algo que goste e contribuir com os que estão espalhando a boa comunicação, já estarei feliz. Comemorarei a cada pessoa que seguir esse blog pessoal e tantos outros que contribuem para a discussão engrandecedora e o não emburrecimento geral da população. Dá-lhe conhecimento. Dá-lhe ação. Dá-lhe os dois juntos.
Vemnimim.
Vemnimim.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Dicas de livros - O Morro dos Ventos Uivantes
Já que estamos compartilhando experiências, por que não compartilhar as melhores experiências também sobre leitura?
Sim, vamos lá.
Para a primeira dica, vou indicar um dos livros que mais me surpreendeu atualmente: O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë. A história se passa em uma fazenda isolada nas montanhas chamada Morro dos Ventos Uivantes, e trata da história de amor de dois amigos de infância, Catherine e Heathcliff, que são separados por adversidades da época e também por eles mesmos. A luta interna das personagens contra partes de sua personalidade quebra todos os paradigmas de livrinhos de romance de época, onde todas as personagens são lindas e alguém termina em um convento. A história é narrada por Nelly, a única personagem que não está sendo dominada pelas vontades loucas, que descreve a realidade do ódio, do amor, do desespero e da loucura, rasgada de uma maneira clara e crua.
"Não quero vê-lo turvado pelas lágrimas, nem desejá-lo entre as paredes de um coração dolorido, mas sim estar com ele, e nele, na verdadeira acepção das palavras." Catherine
"Se o amor dela morresse, eu arrancaria seu coração do peito e beberia seu sangue." Heathcliff
De novo, surpreendente. Um clássico não é um clássico à toa.
Sim, vamos lá.
Para a primeira dica, vou indicar um dos livros que mais me surpreendeu atualmente: O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë. A história se passa em uma fazenda isolada nas montanhas chamada Morro dos Ventos Uivantes, e trata da história de amor de dois amigos de infância, Catherine e Heathcliff, que são separados por adversidades da época e também por eles mesmos. A luta interna das personagens contra partes de sua personalidade quebra todos os paradigmas de livrinhos de romance de época, onde todas as personagens são lindas e alguém termina em um convento. A história é narrada por Nelly, a única personagem que não está sendo dominada pelas vontades loucas, que descreve a realidade do ódio, do amor, do desespero e da loucura, rasgada de uma maneira clara e crua.
"Não quero vê-lo turvado pelas lágrimas, nem desejá-lo entre as paredes de um coração dolorido, mas sim estar com ele, e nele, na verdadeira acepção das palavras." Catherine
"Se o amor dela morresse, eu arrancaria seu coração do peito e beberia seu sangue." Heathcliff
De novo, surpreendente. Um clássico não é um clássico à toa.
terça-feira, 9 de março de 2010
Cavalgadas, mistérios e emoções.
Acho interessante como lidamos com as emoções hoje em dia. Nunca havia pensado nisso como algo pálpavel, mas tive esse pensameto enquanto vasculhava minha humilde biblioteca particular (leia-se 25 livros em um armário de corredor) em busca do próximo livro que iria ler.
Nietzsche? Muito pessimista. Chico Xavier? Muito espiritual. Bernard Cornwell? Não, queria algo mais recente.
Eu queria me sentir intrigada, envolvida, reter informações novas que sempre, e eu digo sempre, serão assunto para mais uma sessão boteco. Ah, e dessa vez, algo fácil, tenho trabalhado como louca. Então, junto com mais um milhão de pessoas, eu decidi ler O Símbolo Perdido, de Dan Brown.
Bingo. Saberia que iria sentir exatamente o que estava procurando. Emoções escolhidas a dedo para os próximos dias.
Parei a mão no ar junto com este pensamento. Observei todos os livros que já comprei algum dia e encarei meus amigos de todas as noites: Agatha Christie, Vladimir Nabokov, Shakespeare, Stephen King, Emily Bronte, Stephenie Meyer (sim, eu me rendi aos encantos), Marion Zimmer Bradley (obrigada Manu) e, pasmem, Nietzsche.
Sentei no chão e pensei sobre as escolhas que fiz. Que momento único. Acho que poucas pessoas tem a chance de reviver suas próprias escolhas em apenas alguns segundos.
Observando meus livros, percebi exatamente o tipo de emoção que me faz feliz e, diante daquele pensamento, ri. Ri muito. É delicioso quando algo sobre você mesmo fica tão claro na sua mente. Fechei os olhos e me deliciei com o meu poder de memória sobre cada livro que já li na vida e revivi diferentes emoções, cavalgadas com heróis, magias com fadas, mistérios em trens, amores incondicionais. Apreciei cada lembrança e, quando voltei da viagem, levantei-me e terminei o movimento inicial. Peguei o livro do Dan Brown, fechei a porta do armário (digo, de minha biblioteca particular) e fui em direção ao sofá.
"Mas que surpresa", pensei. "Sempre busco por livros naquele lugar, mas nunca havia notado o maravilhoso espelho que há dentro daquele armário."
Nietzsche? Muito pessimista. Chico Xavier? Muito espiritual. Bernard Cornwell? Não, queria algo mais recente.
Eu queria me sentir intrigada, envolvida, reter informações novas que sempre, e eu digo sempre, serão assunto para mais uma sessão boteco. Ah, e dessa vez, algo fácil, tenho trabalhado como louca. Então, junto com mais um milhão de pessoas, eu decidi ler O Símbolo Perdido, de Dan Brown.
Bingo. Saberia que iria sentir exatamente o que estava procurando. Emoções escolhidas a dedo para os próximos dias.
Parei a mão no ar junto com este pensamento. Observei todos os livros que já comprei algum dia e encarei meus amigos de todas as noites: Agatha Christie, Vladimir Nabokov, Shakespeare, Stephen King, Emily Bronte, Stephenie Meyer (sim, eu me rendi aos encantos), Marion Zimmer Bradley (obrigada Manu) e, pasmem, Nietzsche.
Sentei no chão e pensei sobre as escolhas que fiz. Que momento único. Acho que poucas pessoas tem a chance de reviver suas próprias escolhas em apenas alguns segundos.
Observando meus livros, percebi exatamente o tipo de emoção que me faz feliz e, diante daquele pensamento, ri. Ri muito. É delicioso quando algo sobre você mesmo fica tão claro na sua mente. Fechei os olhos e me deliciei com o meu poder de memória sobre cada livro que já li na vida e revivi diferentes emoções, cavalgadas com heróis, magias com fadas, mistérios em trens, amores incondicionais. Apreciei cada lembrança e, quando voltei da viagem, levantei-me e terminei o movimento inicial. Peguei o livro do Dan Brown, fechei a porta do armário (digo, de minha biblioteca particular) e fui em direção ao sofá.
"Mas que surpresa", pensei. "Sempre busco por livros naquele lugar, mas nunca havia notado o maravilhoso espelho que há dentro daquele armário."
sexta-feira, 5 de março de 2010
Freud e eu.
Bom,para fins de auto-conhecimento, faço terapia toda sexta. Mas, já fazia um tempo que não conseguia lembrar os meus sonhos, o que deixa a terapia muito mais sem profundidade. Minha relação com freud estava se deteriorando. Por isso, resolvi dar uma mãozinha ao meu inconsciente: fui jantar no Outback na quinta e comi como se não houvesse amanhã, junto com quase 1,5 litro de chopp.
É claro que deu certo. Sonhei tanto que acordei cansada.
Mas não foi bem o que eu estava esperando: no meio de muita bagunça, sonhei que estava vestindo uma roupa de coelhinha, com rabinho de pompom e tudo, enquanto discutia com uma pessoa.
Enquanto dirigia até a terapeuta, pensei seriamente se contaria esse detalhe do sonho. Não tinha nada a ver as minhas questões pessoais com a minha preferência por fantasias de animais. (minha fantasia de gata que o diga, ela já vai para as festas sozinha).
Chegando lá, resolvi que já que estava pagando caro pela consulta, iria contar tudo tintin por tintin.
20 minutos de descriçao depois, pensei que ela ia rir da minha cara e perguntar o que muita gente já me perguntou muitas vezes:
"O que você toma antes de dormir? Também quero!"
Fiquei em silêncio esperando a pergunta. Ela olhou bem nos meus olhos e fez uma pergunta, mas não a que eu estava esperando.
"O que você acha que a roupa de coelhinha pode te dizer?"
As palavras começaram a sair da minha boca. Nem eu sabia o que estava dizendo, é quase como incorporar uma entidade. Nisso, com o sonho, a roupa de coelhinha e mais um monte de idéias, a terapeuta fez uma trança e me mostrou tudo junto, organizado e fazendo sentido. Depois dessa, peguei o meu queixo que estava no chão, meu rabinho de pompom e voltei pra casa. No caminho de volta, comentei pro meu passageiro:
"Você sabe o quanto você é bom, Freud?"
Como resposta, ele disse:
"É claro que sim. Que pergunta tonta."
É claro que deu certo. Sonhei tanto que acordei cansada.
Mas não foi bem o que eu estava esperando: no meio de muita bagunça, sonhei que estava vestindo uma roupa de coelhinha, com rabinho de pompom e tudo, enquanto discutia com uma pessoa.
Enquanto dirigia até a terapeuta, pensei seriamente se contaria esse detalhe do sonho. Não tinha nada a ver as minhas questões pessoais com a minha preferência por fantasias de animais. (minha fantasia de gata que o diga, ela já vai para as festas sozinha).
Chegando lá, resolvi que já que estava pagando caro pela consulta, iria contar tudo tintin por tintin.
20 minutos de descriçao depois, pensei que ela ia rir da minha cara e perguntar o que muita gente já me perguntou muitas vezes:
"O que você toma antes de dormir? Também quero!"
Fiquei em silêncio esperando a pergunta. Ela olhou bem nos meus olhos e fez uma pergunta, mas não a que eu estava esperando.
"O que você acha que a roupa de coelhinha pode te dizer?"
As palavras começaram a sair da minha boca. Nem eu sabia o que estava dizendo, é quase como incorporar uma entidade. Nisso, com o sonho, a roupa de coelhinha e mais um monte de idéias, a terapeuta fez uma trança e me mostrou tudo junto, organizado e fazendo sentido. Depois dessa, peguei o meu queixo que estava no chão, meu rabinho de pompom e voltei pra casa. No caminho de volta, comentei pro meu passageiro:
"Você sabe o quanto você é bom, Freud?"
Como resposta, ele disse:
"É claro que sim. Que pergunta tonta."
terça-feira, 2 de março de 2010
o mundo de ônibus.
Dizem que você atrai tudo o que acontece na sua vida. Se isso for verdade, preciso rever alguns conceitos, porque tenho a péssima tendência de atrair gente bizarra quando viajo de ônibus, o que acontece com certa frequência.
Dessa última vez, quando estava voltando do aniversário de uma amiga em Rio Preto, deparei com mais uma pérola. Sentei ao lado de uma velhinha bem arrumadinha, mas com cara de completamente perdida, como se tivesse escapado do asilo durante um ataque de sonambulismo, acordado na cadeira do ônibus e estivesse com medo de fazer alguma pergunta do tipo: oncotô? . Claro que isso não foi nenhuma surpresa pra mim, pois se fosse uma pessoa normal que estivesse na cadeira ao lado da minha eu teria estranhado e talvez quem iria parecer perdida era eu.
Bom, a viagem ia correndo enquanto ela olhava em volta em busca de respostas, e o meu medo era que a única coisa que ela encontrava era eu, moça de família, loira e arrumadinha, qualidades dignas da época em que ela ainda não acordava em cadeiras de ônibus da Itamarati.
Não deu outra. A meiga velhinha esperou que eu caisse no sono para me acordar e fazer perguntas. Ela chacoalhou o meu braço e, depois que eu realizei o que estava acontecendo, me ajeitei na cadeira e olhei-a esperando algum contato verbal que, acreditem, não aconteceu. Ficamos em silêncio uns 30 segundos até que eu perguntei se ela precisava de alguma coisa. Ela disse que não sabia em que cidade estava (pasmem) e que precisava ligar pra filha dela a cobrar, mas não sabia como. Peguei seu celular modelo tijolo 2000 e fiz a ligação.
Depois disso, me senti meio mal por ter julgado a velhinha já que eu, doce menina jovem 25 anos também não sei explicar direito o que é o twitter. Considerei esse pensamento por alguns segundos e me senti feliz por ter aprendido uma lição nessa viagem de ônibus. 10 segundos depois ela, feliz da vida com a nova lucidez, quis conversar. Toda a iluminação momentânea se dissipou e, mais uma vez, eu tive que conversar com alguém no ônibus. Como que a gente evolui assim?
Dessa última vez, quando estava voltando do aniversário de uma amiga em Rio Preto, deparei com mais uma pérola. Sentei ao lado de uma velhinha bem arrumadinha, mas com cara de completamente perdida, como se tivesse escapado do asilo durante um ataque de sonambulismo, acordado na cadeira do ônibus e estivesse com medo de fazer alguma pergunta do tipo: oncotô? . Claro que isso não foi nenhuma surpresa pra mim, pois se fosse uma pessoa normal que estivesse na cadeira ao lado da minha eu teria estranhado e talvez quem iria parecer perdida era eu.
Bom, a viagem ia correndo enquanto ela olhava em volta em busca de respostas, e o meu medo era que a única coisa que ela encontrava era eu, moça de família, loira e arrumadinha, qualidades dignas da época em que ela ainda não acordava em cadeiras de ônibus da Itamarati.
Não deu outra. A meiga velhinha esperou que eu caisse no sono para me acordar e fazer perguntas. Ela chacoalhou o meu braço e, depois que eu realizei o que estava acontecendo, me ajeitei na cadeira e olhei-a esperando algum contato verbal que, acreditem, não aconteceu. Ficamos em silêncio uns 30 segundos até que eu perguntei se ela precisava de alguma coisa. Ela disse que não sabia em que cidade estava (pasmem) e que precisava ligar pra filha dela a cobrar, mas não sabia como. Peguei seu celular modelo tijolo 2000 e fiz a ligação.
Depois disso, me senti meio mal por ter julgado a velhinha já que eu, doce menina jovem 25 anos também não sei explicar direito o que é o twitter. Considerei esse pensamento por alguns segundos e me senti feliz por ter aprendido uma lição nessa viagem de ônibus. 10 segundos depois ela, feliz da vida com a nova lucidez, quis conversar. Toda a iluminação momentânea se dissipou e, mais uma vez, eu tive que conversar com alguém no ônibus. Como que a gente evolui assim?
Tá bom vai. Vamos quebrar barreiras.
Uma coisa que as pessoas entendem sobre mim logo de cara é que eu defendo opiniões. Acho digno e nunca me sinto confortável com meio termos. Situação que gera, como você pode imaginar, várias cuspidas caindo na testa, motivos de choros momentâneos e risadas no bar um tempo depois.
O blog é uma delas, claro. Nunca entendi qual era o motivo, causa, razão ou circunstância que leva uma pessoa a escrever sobre seu dia-a-dia pra todo mundo ver. E claro, me mantive a opinião enquanto todas as pessoas do mundo se renderam aos trens da net pessoal e foram embarcando. Até que fiquei sozinha na plataforma "cartas e velhinhos teimosos". Já não basta a vergonha que eu passo na praia com o fato de eu morrer de medo de ondas e ter que ficar no rasinho com todas as mães, crianças e baldinhos de areia, enquanto a turma bate altos papos no fundo. Tá bom, então. Chega de velhinhos, mães, crianças e uma dimensão paralela ondem vivem meus cuspes e todos os meus rabinhos de cabelo. Cortei o cabelo, abracei o cuspe do "nunca vou ter um blog", me esfreguei nele com gosto e, bem melecada, comecei o blog.
Risquei o mouse no chão e falei: vem ni mim, cuspe.
O blog é uma delas, claro. Nunca entendi qual era o motivo, causa, razão ou circunstância que leva uma pessoa a escrever sobre seu dia-a-dia pra todo mundo ver. E claro, me mantive a opinião enquanto todas as pessoas do mundo se renderam aos trens da net pessoal e foram embarcando. Até que fiquei sozinha na plataforma "cartas e velhinhos teimosos". Já não basta a vergonha que eu passo na praia com o fato de eu morrer de medo de ondas e ter que ficar no rasinho com todas as mães, crianças e baldinhos de areia, enquanto a turma bate altos papos no fundo. Tá bom, então. Chega de velhinhos, mães, crianças e uma dimensão paralela ondem vivem meus cuspes e todos os meus rabinhos de cabelo. Cortei o cabelo, abracei o cuspe do "nunca vou ter um blog", me esfreguei nele com gosto e, bem melecada, comecei o blog.
Risquei o mouse no chão e falei: vem ni mim, cuspe.
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